Procura por aulas de MMA cresceu até 70% na cidade. Em busca de um corpo definido, mulheres contribuem – e muito – para a expansão da modalidade
Fotos: Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
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Quem, de última hora, resolveu procurar por um bar ou pub para assistir ao combate entre Anderson Silva e Chael Sonnen, na madrugada do último domingo, pela edição 148 do Ultimate Fighting Championship 148, acabou ficando de fora. Ou, na melhor das hipóteses, conseguiu um lugarzinho, apertado, com muito sufoco. O fenômeno do MMA (artes marciais mistas) tomou conta do Brasil nos últimos tempos e isso já começa a se refletir nas academias esportivas de Curitiba.
O mestre Fábio Assolari, da Combate Absoluto, diz que trabalha com a modalidade há seis anos. Somente em 2012, a procura por aulas de MMA praticamente dobrou. “Hoje eu tenho 130 alunos”, conta. Na Thai Brasil, do treinador Fernando Falkenbach, o aumento foi de 70%. Mas não é apenas nas academias especializadas que o esporte vem ganhando espaço. “Curitiba é um berço do MMA, fizemos aulas experimentais e vamos colocar na grade. Até meu filho de 6 anos está matriculado!”, brinca a supervisora de vendas da Swimex, Ana Tereza Rosa.
Para suar
Supercílios abertos, cabeças inchadas e sangue no octógono são imagens comuns nas transmissões do UFC. Por incrível que pareça, as cenas fortes não incomodam as mulheres, que contribuem de forma considerável para todo esse crescimento.
“Eu nunca fui muito sensível, não tenho frescura, não. Caí de paraquedas, três anos atrás, e me apaixonei”, conta, com bom humor, a cabeleireira Bruna Nogueira, que entrou na modalidade em busca de uma atividade física, principalmente para definir o corpo. E esse tem sido um atrativo bastante forte para o público feminino. Na Combate Absoluto, Fábio Assolari calcula que as mulheres são responsáveis pela metade das matrículas. “Eu diria que 90% delas procuram condicionamento físico e defesa pessoal”, acrescenta.
Segundo Fernando Falkenbach, uma hora de aula nas artes marciais mistas pode queimar até 1,2 mil calorias. “O gasto calórico é muito maior, porque mistura a luta em pé, que trabalha a movimentação, e a luta no chão, que é mais força e ajuda a fortalecer os músculos”, explica.
“Eu senti diferença logo no primeiro mês”, revela a consultora Jéssica Mello. “Comecei mais pelo condicionamento físico, mas sempre assisti ao UFC e acabei me identificando”, diz ela, que acabou “enjoando” dos exercícios mais básicos das academias e resolveu entrar para o mundo das lutas, primeiro no Muay Thai, depois no MMA.
Riscos
No entanto, com a “febre” do UFC, muito fã pode se animar e querer se transformar em um “Anderson Silva” da noite para o dia. Não é assim. Como é praxe em toda atividade física – mas no MMA ainda mais, pela intensidade do esporte – é preciso começar pelo check-up médico.
“É claro que vai ter escoriações, inchaços. Mas é preciso uma boa instrução de alongamento e aquecimento, para evitar lesões musculares, além dos equipamentos de segurança e de um check-up de seis em seis meses”, frisa o fisioterapeuta Adriano Tiezerini, que já trabalhou com atletas de alto rendimento, como Maurício Shogun e Wanderley Silva. Para os iniciantes, ele recomenda dois treinos semanais. A frequência pode aumentar, mas sempre sob orientação do professor.
Outro ponto delicado é a coluna vertebral. Os movimentos de esquiva, por exemplo – que ajudaram o Spider a nocautear Sonnen – exigem muito dessa parte do corpo. “É fundamental fazer exercícios de fortalecimento dos músculos dessa região, também”, ressalta o fisioterapeuta Giuliano Martins. “É possível curar muitas lesões musculares, mas uma lesão no disco da coluna vertebral não tem como tratar definitivamente.”
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